Para Tomelin, o consumo do crack, principalmente, está se tornando uma espécie de epidemia. “Tenho a sensação de que estamos perdendo o controle dos jovens no uso da droga, mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim diz que não devemos desistir. Devemos lutar por uma conscientização maior melhor dos nossos jovens, pelo futuro de Santa Catarina. Entristece-me ler uma notícia como esta e saber que droga chegou ao interior do Estado e faz sucesso entre jovens por motivos banais. Precisamos enfrentar esta realidade, pelo bem de todos, pela saúde mental e física de pais e filhos. É nosso dever, da comunidade, orientar esses jovens. Educação, diálogo, desafios e oportunidades. Essas são ações básicas, disponíveis, e é preciso apenas colocá-las em prática. Precisamos tirar os nossos jovens das ruas, educá-los, fortalecer a família, criar novas expectativas e assim, afastá-los desse mal”, destaca Tomelin.
A droga no interior
Pela curtição, curiosidade, modismo ou até para trabalhar, com uma falsa sensação de ganhar força, jovens catarinenses do interior estão estragando suas vidas no consumo do crack. Em comunidades terapêuticas da Grande Florianópolis, não faltam histórias de moradores de pequenas cidades que levavam um dia a dia normal e sadio e o destruíram por causa do vício. Uma realidade que acende o sinal de alerta para as autoridades intensificarem os meios de prevenção e atendimento.
O DC esteve em fazendas de recuperação do Centro de Recuperação de Toxicômanos e Alcoólicos (Creta), em Paulo Lopes, ouviu dependentes em tratamento e especialistas. A conclusão é que de uns anos para cá o crack deixou de ser droga marcante dos grandes centros urbanos e em que os seus consumidores eram pessoas marginalizadas. Hoje, a droga também deixa reféns em cidades menores e do inteiror. Os alvos são adolescentes, trabalhadores e até mães.
– Notamos que, a partir de 2002, o crack passou a ser levado também para as áreas distantes das metrópoles e zonas rurais. Há uma geração mais nova de cortadores de eucalipto e trabalhadores de plantações de cebola que usam para melhorar o desempenho na atividade agrícola. Mas acabam perdidos – assinala Sigwalt Filho, consultor e coordenador do Recanto Silvestre, comunidade terapêutica em Biguaçu.
Nas fazendas do Creta, funcionários afirmam que o número de internos do interior chega a ser maior do que os da Capital ou de outras grandes cidades. É fácil cruzar com um ou outro morador de alguma cidadezinha catarinense e que nunca andou antes pela Grande Florianópolis. Mas, quando o assunto é o crack, falam com naturalidade e conhecimento dos seus efeitos aos usuários. A maioria experimenta antes o álcool, a maconha e a cocaína.
Mas os problemas com maior incidência pelo Estado ainda são com o alcoolismo, diz Maria Cecília Rodrigues Heckrath, coordenadora estadual da Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde. SC não tem números ou estatísticas sobre a presença do crack nas cidades. Maria Cecília nota que nas de divisa ou fronteiras, como nas regiões Norte e Extremo-Oeste, a presença da droga é mais intensa.
– São regiões de rotas do tráfico e a facilidade de encontrar a droga é maior. A política do Estado é fortalecer os serviços existentes de atenção básica onde essas pessoas moram – diz a coordenadora.
Assistência deve chegar às pequenas cidades
Se nas grandes cidades o tratamento dos usuários já é difícil, nas cidades pequenas pode ser ainda mais complicado. Em apenas 170 das 293 cidades catarinenses há profissionais de saúde habilitados para tratar com dependentes de drogas. O ideal, admite Maria Cecília, é que todas as cidades contassem com os chamados núcleos de apoio da saúde da família e os leitos psiquiátricos. Ela acredita que a assistência poderá melhorar com a adesão das cidades a programas como o de redução de danos, estratégia de informação aos usuários sobre os riscos do consumo.
Especialista em dependência química pela Universidade Federal de São Paulo e considerado referência no tratamento ao crack em Santa Catarina, o médico psiquiatra Marcos Zaleski vê a necessidade de aparelhar os municípios e capacitar os profissionais de saúde para frear o problema.
Para Zaleski, as políticas públicas são fundamentais, além da massificação da informação sobre as drogas. Ele cita a importância de campanhas como a Crack, Nem Pensar, do Grupo RBS. Defende ainda que o tratamento seja feito o mais cedo possível de quem usa maconha e cocaína. Segundo Zaleski, essa foi uma forma que países como a Suécia encontraram para evitar a existência de futuros usuários de crack.
Notícia retirada do jornal Diário Catarinense.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário